05 novembro 2014

Grupo de cientistas questiona a veracidade da evolução darwiniana

Dr. Marcos Eberlin e o papa da TDI, o bioquímico americano Michael Behe
Cientistas afirmam que a vida é resultado da ação de um projeto intencional. O assunto será discutido este mês no 1º Congresso Brasileiro de Design Inteligente
A veracidade da evolução darwiniana, considerada incontestável pela ciência durante quase 150 anos, está sendo questionada por um grupo de cientistas, que acreditam que aquilo que trouxe a vida até aqui não foi a ação exclusiva das forças dos processos naturais não guiados, e sim resultado da ação de um projeto intencional. É o que sustentam os cientistas adeptos da Teoria do Design Inteligente (TDI), segundo a qual fomos planejados por uma ação inteligente. A ideia é que há eventos do universo e aspectos da vida que nem em milhões de anos seriam viabilizados a partir da evolução, como prega a teoria darwiniana. Isso significa, entre outras coisas, que o nosso tão cantado parentesco com os chimpanzés nunca existiu (por falta de tempo e de evidências).

Marcos Eberlin, doutor em química pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pós-doutor pelo Laboratório Aston de Espectrometria de Massas da Universidade Americana de Purdue (EUA), explica que os chimpanzés têm 24 pares de cromossomos e nós, apenas 23 e que os DNAs das duas espécies são 33% diferentes e as proteínas, 80%. “A fusão cromossômica que se imaginou um dia reduzir nossos cromossomos de 24 para 23 nunca ocorreu. O cromossomo é a coisa mais preservada do mundo, ninguém mexe em software. Nosso cromossomo Y é totalmente diferente do cromossomo Y dos chimpanzés, e somos tão parecidos com eles em cromossomo Y como o somos com as galinhas”, afirma o químico. O assunto será discutido durante o 1º Congresso Brasileiro de Design Inteligente, que reunirá a comunidade científica e interessados para debater a teoria, que propõe uma reinterpretação dos dados científicos sobre os eventos que deram origem à vida e ao universo. O evento ocorrerá de 14 a 16 deste mês, no resort The Royal Palm Plaza, em Campinas (São Paulo). 
“Hoje, a academia científica vive uma situação muito estranha. Desde o iluminismo que Darwin, ao investigar o universo e sua origem, propôs a sua Teoria da Evolução. Mas o que a gente tem até aqui é o efeito. Agora queremos saber quem é o autor”, diz Eberlin. Segundo ele, desde os primórdios da humanidade, sabe-se que são duas as possilidades para a origem da vida e do universo: os processos naturais não guiados ou uma ação inteligente, uma mente, um ser consciente, consistente e coerente que pode ter sua obra identificada pela ciência, embora não se saiba quem ele seja. Na avaliação do cientista, o que ocorre há 150 anos é que a ciência mundial eliminou “pré-conceituosamente” a ação sobrenatural como uma da causas proáveis para a origem da vida. 

Cunho científico
Kelson Motta T. Oliveira, doutor em fisioquímica pela Universidade de São Paulo (USP), professor de fisioquímica da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e coordenador do Grupo de Pesquisa em Química Teórica e Computacional da mesma universidade, defende que a TDI é uma abordagem de cunho científico, e não religioso, ainda que sua premissa básica seja a de que o funcionamento das coisas tal qual as vemos hoje não é fruto de colisões ao acaso e de uma evolução não racional, mas de um planejamento inteligente. Entre os membros dessa comunidade científica, existem representantes de ateus, agnósticos, católicos, batistas e de muitas outras religiões, mas isso, segundo Kelson, é irrelevante para a fundamentação teórica da TDI.

“É possível encontrar marcas desse planejamento em todos os projetos da natureza”, afirma. Por trás dessa ideia, estaria o fato de que, pela complexidade, os sistemas biológicos não podem ser reduzidos a valores inferiores, como prega a teoria darwiniana. “Se você olhar para trás e pensar na evolução, estará dizendo que os sistemas biológicos mais evoluídos e atuais são fruto de sistemas menos evoluídos. O problema é que não importa o sistema biológico, você não consegue demonstrar um sistema de complexidade mais reduzido que tonou-se mais evoluído. Só é possível encontrar sistemas biológicos irredutíveis em termos de complexidade”, esclarece Oliveira. 
O professor afirma, ainda, que a premissa darwiniana aceita que sequências de DNA e RNA foram formadas ao acaso, ao longo do tempo. Não há qualquer preocupação em comprovar tais afirmações com cálculos de variação de energia e estabilidade, os quais são relativamente fáceis de executar. Em seus cálculos, a possibilidade de duplicação ao acaso de duas cadeias idênticas de proteína, contendo cada uma 100 aminoácidos, é de 10 elevado a -130 de o evento ocorrer. Isso quer dizer que são chances desprezíveis. Para que tal fenômeno pudesse ocorrer, seriam necessárias 10.112 tentativas de duplicação a cada segundo, desde que o universo foi criado. “Somente uma fé insana e absurda explicaria esse disparate”, afirma o professor.

Por trás do código genético
“Um século e meio depois que foi criado esse paradigma da ciência, a gente percebe que ele não está sendo capaz de responder às questões sobre a origem da vida. A experiência fala contra os processos naturais não guiados. Isso está cada vez mais evidente”, concorda o cientista Marcos Eberlin. Segundo ele, descobertas feitas durante o projeto Genoma Humano – uma iniciativa internacional iniciada em 1990, com o objetivo de identificar e fazer o mapeamento dos genes existentes no DNA das células do corpo humano, determinar as sequências das 3 bilhões de bases químicas que compõem o DNA humano e armazenar essas informações em bancos de dados acessíveis – revelaram que existe uma inteligência “absurda” por trás do código genético.

“São, pelo menos, oito códigos embutidos dentro de um mesmo código. É como se os arquivos estivessem zipados ou mesmo encriptados, com informações interligadas em vários níveis de codificação”, explica o cientista. Segundo ele, aquilo que a evolução um dia acreditou ser “lixo” do DNA agora é considerado metainformação, ou seja, é a informação que rege a informação. “Isso quer dizer que nada menos do que 97% do DNA, que se acreditava ser resíduo deixado pela evolução, se sabe hoje que são instruções de como usar os outros 3%”, comenta.

Combinações
Marcos Eberlin explica que o código genético do DNA está disposto em quatro bases, alinhadas de três em três, o que resulta em 64 códons ou combinações. “Ocorre que temos apenas 20 aminoácidos. Acreditava-se que isso era um exagero da evolução de um processo natural não guiado, mas, hoje, já se sabe que é uma estratégia de inteligência extrema”, observa o químico. Quem fez isso, segundo relata um artigo científico recente, criou códigos diferentes para conectar na proteína, sendo formado o mesmo aminoácido, mas com velocidades diferentes, sabendo de antemão que, para cada tipo de proteína, seria necessário um tempo diferente de ligação, com o objetivo de oferecer o tempo certo para que a proteína se enovele corretamente. Um ajuste extremamente elegante e fino de velocidade de fabricação.

O que a TDI pretende é que as duas causas prováveis da origem do universo e da vida – a ação de processos naturais não guiados ou o planejamento inteligente – sejam recolocadas em pauta na mesa das discussões científicas sobre as origens do cosmos e da vida. “Para todas as outras questões, a ciência trabalha sempre com essas duas causas prováveis. Mas quando se trata da origem da vida, a ciência naturalista tem simplesmente fechado seus olhos para a segunda probabilidade”, alerta Eberlin. (ZF)

Enquanto isso...
... Princípio supremo

No início da semana passada, o papa Francisco afirmou que a Teoria da Evolução e o bigue-bangue são reais, criticando a interpretação das pessoas que leem o Gênesis, achando que Deus “tenha agido como um mago, com uma varinha mágica capaz de criar todas as coisas”. Para ele, a criação do mundo “não é obra do caos, mas deriva de um princípio supremo, que cria por amor” e o bigue-bangue não contradiz a intervenção criadora, mas a exige. A declaração, feita pelo pontífice na inauguração de um busto de bronze em homenagem ao papa emérito Bento XVI, repercutiu positivamente na comunidade científica.


Via (Em.com.br)

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