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Jesus entrou no santíssimo antes de 1844?

Moisés entrou no Lugar Santíssimo como parte do ritual de inauguração (Êx 26:33, 34; 40:9; Lv 8:10-12; Nm 7:1, 89; cf. Hb 9:21). A inauguração do santuário celestial também envolveu a unção do Santíssimo (Dn 9:24). Ou seja: o Dia da Expiação não é o único ritual que inclui entrada no Santíssimo. Cristo, por ocasião de Sua ascensão, entrou no santuário celestial para inaugurar seus serviços (o que incluía a entrada no Santíssimo), não para dar início ao ministério do Dia da Expiação. Em palavras simples, Jesus entrou no Santíssimo antes de 1844 para inaugurar Seu sacerdócio, e entrou no Santíssimo em 1844 para efetuar a purificação do santuário celestial (Dia da Expiação).

A teoria dos seis mil anos e a volta de Jesus até 2027

“Quanto ao dia e à hora ninguém sabe” (Mateus 24:36); “Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela Sua própria autoridade” (Atos 1:7).
[O texto a seguir foi preparado com base em anotações de uma palestra apresentada pelo Dr. Wilson Paroschi no Unasp, campus Engenheiro Coelho, em 2 de abril de 1992.]. Como entender as citações de Ellen G. White que mencionam a cronologia dos seis mil anos? Teria ela cometido alguns “erros” de natureza cronológica? Se consultarmos seus escritos, notaremos que ela faz mais de 2.500 referências à cronologia bíblica. O período dos seis mil anos desde a criação é citado por ela 42 vezes em suas obras primárias (excetuando-se as compilações). E o período dos quatro mil anos, referentes ao tempo da criação à encarnação, é mencionado 41 vezes. Como explicar isso?

A Reforma Protestante e a união das igrejas

O dia 31 de outubro de 1517 foi uma data que mudou o mundo ocidental. Um frei alemão chamado Martinho Lutero fixou um cartaz à porta da igreja do castelo de Wittenberg. O anúncio estampava 95 teses contra a venda de indulgências (documento que assegurava o perdão de pecados), uma prática popular da Igreja Católica na época. A cristandade ocidental, até então praticamente monolítica, fragmentou-se. Surgiram centenas de denominações protestantes, cada uma com a pretensão de reformar a Igreja. Hoje, é virtualmente impossível determinar o número exato das seitas cristãs, estimado na casa das dezenas de milhares.

Papa Francisco e o discurso sobre o Sábado



O bispo de roma se referiu aos guardadores do sábado do tempo de Jesus como pessoas que fizeram uma interpretação formalista e acomodada as normas. Desta forma, segundo o papa, os fariseus mesclaram o erro com a verdade para levar as pessoas aos seus próprios dogmas.

De fato, é contestável qualquer comportamento que denote fanatismo ou intolerância religiosa. Os fariseus realmente extrapolaram na maneira de interpretar a lei a ponto de valorizar mais a norma do que o ser humano. Todavia, nenhum extremo deve ser aceito em qualquer circunstância. Seja no sentido de anular o amor por causa da lei, os mesmo no sentido de anular a lei por causa do amor. Os fariseus erraram em anular o amor por causa da lei e é isto que precisa ser combatido.

A guarda do sábado é um preceito bíblico e escrito pelo próprio Deus em tábuas de pedra (Ex 20). Há na Bíblia centenas de passagens que claramente fortalecem o sábado como mandamento de Deus. Não deveria haver dúvidas quanto a isto, uma vez que não há na Bíblia nenhuma declaração de mudança do dia sagrado e nenhum novo decreto imperial claramente ensinando que a graça anula a obediência a este mandamento. Os argumentos utilizados pelos amigos evangélicos e católicos não passam de meras tentativas de forçar a Bíblia afirmar algo que ela não disse. 

Ultimamente, uma vez que a tentativa de anular o mandamento sabático, usando a própria Bíblia, tem sido um fracasso atrás de outro, a nova estratégia tem sido a de comover, uma espécie de apelo emotivo sob a prerrogativa do amor. Tipo, as pessoas que insistirem com a ideia da guarda do sábado em um mundo totalmente contrário a esta prática tanto no âmbito comercial quanto das massas religiosas, podem ser naturalmente taxados de fanáticos e contrários a lei do amor. O amor de fato é a lei suprema, mas o amor não pode anular a lei, porque o cumprimento da lei é o amor (Rm 13:8). 

A exemplo dos fariseus que radicalizavam as normas, segundo essa nova estratégia, que tem por objetivo anular o mandamento do sábado, os sabatistas atuais, que insistem, que teimam e que demonstram falta de flexibilidade neste assunto, não são nem um pouco melhores do que os fariseus do tempo de Jesus. Portanto, a declaração do papa Francisco, pode ser um ponta pé inicial para transformar os guardadores do sábado de hoje em fundamentalistas radicais, inimigos da sociedade, inimigos do bem e inimigos do amor. 

Aos poucos percebemos que a história que se está construindo no presente, trará um futuro nem um pouco amigável para àqueles que pretendem ser fieis a Deus da maneira como a Bíblia realmente nos ensina. Pelo que podemos perceber, em breve deveremos fazer uma escolha, escolher entre a Bíblia, ou a opinião dos homens. Escolher entre a vontade de Deus, ou a vontade humana. Abraçar os preceitos de Deus, ou os preceitos dos homens. Lentamente, observe, lentamente o cenário profético, aquele descrito em Apocalipse 12:17, onde o dragão persegue os que guardam os mandamentos de Deus, vai se estruturando exatamente como predito. Lembre-se, diante dos dilemas finais, onde seremos obrigados a escolher entre um lado ou outro, o conselho de Deus, expresso em Sua Palavra é este: “Antes importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5:29).

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74 razões do porque que guardo o sábado

Cenas de um mundo que afunda

Civis fogem da cidade de Aleppo
Todo fim de ano é a mesma coisa: as pessoas se desejam “muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”; brindam com champanhe, alguns enchem a cara, se abraçam e sonham com um ano novo melhor. Mas os anos se sucedem, o tempo passa, e a humanidade continua em sua espiral de decadência, cavando mais e mais o fundo do poço. Você sabia que moradores do leste da devastada cidade síria de Aleppoestão pedindo  permissão a religiosos para que os pais possam matar as filhas, mulheres e irmãs, antes que elas sejam capturadas e estupradas pelas forças do regime de Bashar al-Assad, da milícia libanesa do Hezbollah ou do Irã? Caiu nas redes sociais a carta de uma enfermeira da área cercada da cidade explicando por que havia escolhido o suicídio diante da possibilidade de “cair nas mãos de animais do Exército sírio”. E o mundo ficou sabendo de mais barbáries que estão sendo cometidas naquele país. Você consegue conceber uma realidade como essa? Consegue se colocar no lugar daquelas pessoas? É possível comemorar, quando sabemos que neste exato momento uma mulher pode estar tirando a própria vida para não ser estuprada, ou um marido ou pai pode estar matando a esposa ou a filha para não vê-la sendo violentada na sua frente?

Este é o planeta em que estamos vivendo. Enquanto cristãos no Ocidente celebravam o Natal com perus e guloseimas, outros cristãos, no Oriente, tinham suas casas invadidas e eram levados presos para serem enforcados, degolados ou crucificados - e insistentemente ignorados pela mídia do lado de cá. Enquanto alguns têm a mesa repleta de comida, outros tantos não têm o que comer ou vivem em precários campos de refugiados, tentando ficar longe dos horrores de guerras que não ajudaram a começar.

Claro que não há nada de errado em desejar para o próximo ano paz e prosperidade aos amigos e parentes, mas o maior desejo que deveríamos ter e expressar é o de que Jesus volte logo para nos tirar deste mundo de misérias, injustiças, crimes, dor e morte. Somente a volta de Jesus trará a paz definitiva e a justiça pela qual clamamos. Não apenas desejemos, mas trabalhemos para que esse dia chegue logo!

Conforme texto postado no blog Pensador Anônimo, “infelizmente, nós somos um tipo de vírus, porque somos muito egoístas em todos os sentidos; somos egoístas com o único mundo que temos e somos egoístas mesmo com as pessoas ao redor de nós e até mesmo com nós mesmos. O pior de tudo é que nós somos muito materialistas. [...] Podemos ver algumas universitárias que são capazes de vender o corpo apenas para obter o mais recente modelo de smartphone do mercado.”

O blog postou também algumas ilustrações que ajudam a representar a sociedade atual. Veja algumas delas aqui [MB]:













O tema da contrafação no livro de Apocalipse

O livro dos apostos
Algumas notas da Bíblia de Estudo Andrews, lançada recentemente pela Casa Publicadora Brasileira, têm despertado certa inquietação nas redes sociais. Entre essas notas, estão as seguintes, relacionadas ao livro de Apocalipse:

“13:1-18 Esta passagem acrescenta detalhes ao cap. 12, sobretudo em relação à guerra do tempo do fim (de 12:17). Neste capítulo, o dragão reúne dois de seus aliados para o conflito final. Com o dragão, a besta do mar (uma aparente paródia de Cristo) e a besta da terra (uma aparente paródia do Espírito Santo) sugerem uma falsa trindade (16:13, 14) em conspiração para enganar o mundo (13:13, 14).”

“13:3 golpeada de morte. Literalmente, ‘ferida de morte’, uma alusão à cruz (v. 8).curada. Recuperação quase que milagrosa de uma ferida que tinha tudo para ser mortal.se maravilhou. O ressurgimento da besta no tempo do fim é uma surpresa.”

A equipe editorial da Casa Publicadora Brasileira divulgou uma esclarecedora declaração, provendo uma resposta plenamente satisfatória aos questionamentos levantados (leia aqui). Destacamos este trecho: “O que significa a besta do mar ser uma ‘paródia de Cristo’? Paródia, de acordo com o dicionário, é uma ‘imitação engraçada ou crítica de uma obra (literária, teatral, musical)’. Desse modo, a besta que emerge do mar tenta ser uma imitação grotesca de Cristo. Observa-se nela as seguintes características: a besta recebe autoridade do dragão (que simula o Pai), assim como Cristo recebeu autoridade do Pai (Mt 28:18); a besta tem um ministério de 42 meses (três anos e meio), assim como Cristo teve um ministério de três anos e meio; a besta declara ‘quem é semelhante à besta?’, num contraste direto ao significado do nome Miguel, ‘quem é como Deus’; a besta quer ter poder para perdoar pecados, assim como Cristo tem o poder de perdoar pecados. Em outras palavras, a obra da besta é uma contrafação diabólica do ministério de Cristo.”

Com o objetivo de aprofundar a compreensão do assunto e, assim, fortalecer a credibilidade da Bíblia de Estudo de Andrews, divulgamos um interessante material produzido pelo Dr. Ranko Stefanovic, um mais renomados especialistas em Apocalipse da Igreja Adventista do Sétimo Dia. O texto abaixo foi extraído de Revelation of Jesus Christ: Commentary on the Book of Revelation, uma obra de 686 páginas, que apresenta um estudo verso a verso do Apocalipse. Para adquirir esse livro, clique aqui.

Para compreendermos as principais questões teológicas presentes na segunda metade do Apocalipse, é crucial entender o tema da contrafação, que inclui pessoas, mensagens, marcas de identificação e cidades. O enfoque central dos onze primeiros capítulos do Apocalipse está nas três pessoas da Divindade, que são referidas no início do livro como “Aquele que é, que era e que há de vir” (Deus, o Pai), os “sete Espíritos” (ou o “séptuplo Espírito”, nota de rodapé da NVI – indicando a plenitude e universalidade da obra do Espírito Santo) e “Jesus Cristo” (Ap 1:4, 5). Eles também são mencionados juntos na entronização de Cristo, descrita em Apocalipse 4 e 5. As atividades realizadas pelas três pessoas da Divindade em favor da salvação humana estão presentes ao longo de todo o livro.

Apocalipse 12–22:5 focaliza a tentativa de Satanás de impedir os planos de Deus para o mundo e, assim, levar os habitantes da Terra para o seu lado. Ele “colocará em ação uma gigantesca contrafação do verdadeiro Deus” e de Suas atividades salvíficas.[1] Seus esforços para enganar os habitantes da Terra são descritos no livro de Apocalipse como antíteses de Deus e de Suas atividades: a trindade satânica (capítulos 12 e 13) atua como a antítese das três pessoas da Divindade (1:4, 5; capítulos 4 e 5); a marca da besta (13:15, 16), como a antítese do selo de Deus (7:1-3; 14:1); as três mensagens demoníacas (16:13, 14), como a antítese das três mensagens angélicas (14:6-12); e a mulher-cidade de Babilônia (capítulos 17 e 18), como uma antítese da Nova Jerusalém (capítulos 21 e 22). A seguir, vamos explorar em mais detalhes cada um desses temas.

Trindade contrafeita

Os capítulos 12 e 13 introduzem os principais atores que desempenharão seus papéis na segunda metade do Apocalipse: o dragão (Ap 12) e seus dois aliados – a besta do mar (Ap 13:1-10) e a besta da terra (Ap 13:11-17).[2] Juntos, eles formam uma trindade satânica, como uma antítese à Trindade divina. Ao longo do restante do livro, eles estão inseparavelmente associados nas atividades de enganar as pessoas, com o propósito de afastá-las de Deus e levá-las a se colocar no serviço de Satanás (cf. Ap 16:13, 14; 19:20; 20:10).

A primeira entidade dessa liga triúna é Satanás, que, em Apocalipse 12 e 13, é apresentado como a antítese de Deus, o Pai, buscando ser igual a Deus e conduzindo a guerra contra Ele. O dragão atua como o líder do grupo, concedendo autoridade a outros e dando-lhes ordens. Veja a tabela abaixo:

Dragão/Satanás
Deus, o Pai
Está localizado no Céu (Ap 12:3, 7, 8).
Seu lugar de habitação está no Céu (Ap 4 e 5).
Possui um trono (Ap 13:2; cf. 2:13).
Possui um trono (Ap 4 e 5; 7:9-15; 19:4).
Dá poder, trono e autoridade à besta do mar (Ap 13:2, 4).
Dá poder, trono e autoridade a Cristo (Mt 28:18; Ap 2:27; 3:21; 4 e 5).
É adorado (Ap 13:4).
É adorado (Ap 4:10; 15:4).
É destruído para sempre (Ap 20:9, 10).
Vive e reina para sempre (Ap 4:9; 5:13; 11:15).

Esse paralelismo indica a intenção do autor inspirado de mostrar que, na liga satânica, a besta do mar atua como uma antítese de Jesus Cristo, imitando Sua vida e ministério na Terra. A besta do mar age na plena autoridade e no poder do dragão, assim como Jesus age na autoridade do Pai (cf. Mt 28:18). Veja a tabela abaixo:

Besta do mar
Jesus Cristo
Sai da água para iniciar sua atividade (Ap 13:1).
Sai da água para iniciar Seu ministério (Lc 3:21-23).
Assemelha-se ao dragão (Ap 12:3; 13:1).
“Quem Me vê a Mim vê o Pai” (Jo 14:9).
Possui dez diademas (Ap 13:1).
Possui muitos diademas (Ap 19:12).
Possui dez chifres em suas cabeças (Ap 13:1).
O Cordeiro possui sete chifres (Ap 5:6).
Recebe do dragão poder, trono e autoridade (Ap 13:2, 4).
Recebe do Pai poder, trono e autoridade (Mt 28:18; Ap 2:27; 4–5).
Suas atividades duram 42 meses, ou três anos e meio (Ap 13:5).
Seu ministério dura três anos e meio (indicado, por exemplo, pelo evangelho de João).
Recebe uma ferida mortal (Ap 13:3).
Recebe uma ferida mortal (Ap 5:6).
Volta à vida (Ap 13:3).
Ressuscita (Ap 1:18).
Recebe adoração depois que sua ferida mortal é curada (Ap 13:3, 4, 8).
Recebe adoração depois de Sua ressurreição (Mt 28:17).
Recebe autoridade universal sobre a Terra depois da cura de sua ferida mortal (Ap 13:7).
“Toda a autoridade Me foi dada no céu e na Terra” (Mt 28:18), após a ressureição.
“Quem é semelhante à besta?” (Ap 13:4).
Um de Seus títulos é Miguel (Ap 12:7), que significa “Quem é semelhante a Deus?”
Público-alvo global (todas as nações, tribos, línguas e povos) (Ap 13:7; cf. 17:15).
Público-alvo global (todas as nações, tribos, línguas e povos) (Ap 5:9; 10:11; 14:6).

A besta da terra se revela como uma contrafação da obra do Espírito Santo. Ela atua na plena autoridade da besta do mar (Ap 13:3), da mesma forma que o Espírito Santo representa Jesus Cristo ao agir em Sua plena autoridade (cf. Jo 14:26; 15:26; 16:13). Veja a tabela abaixo.

Besta da terra
Espírito Santo
Chamada de “falso profeta”, por enganar as pessoas (Ap 16:13; 19:20; 20:10).
Chamado de “o Espírito da verdade”, por guiar as pessoas à verdade da salvação (Jo 16:13; cf. Ap 22:17).
Semelhante a cordeiro (Ap 13:11).
Semelhante a Cristo (Jo 14:26; 16:14).
Exerce toda a autoridade da besta do mar (Ap 13:12).
Exerce toda a autoridade de Cristo (Jo 16:13, 14).
Direciona a adoração à besta do mar (Ap 13:12, 15).
Direciona a adoração a Cristo (At 5:29-32).
Realiza grandes sinais (Ap 13:13; 19:20).
Realiza grandes sinais (At 4:30, 31).
Faz descer fogo do céu (Ap 13:13).
Vem em fogo no Pentecostes (At 2).
Concede vida/fôlego à imagem da besta (Ap 13:15).
Concede vida/fôlego de vida (Rm 8:11).
Aplica a marca na mão ou na fronte (Ap 13:16).
Aplica o selo na fronte (2Co 1:22; Ef 1:13; 4:30).

O livro de Apocalipse conclui com o triunfo final de Deus sobre a trindade satânica, que encontrará um fim definitivo no lago de fogo (Ap 19:20; 20:10).

Selo contrafeito

Antes da crise final, o povo de Deus é selado na fronte (Ap 7:1-3). Ao passo que os fiéis recebem o selo de Deus, seus adversários recebem uma marca simbólica na mão ou na fronte conhecida como “marca da besta” (13:16, 17). Essa marca funciona como a contrafação do selo de Deus, e sua aceitação indica uma antítese aos mandamentos de Deus (cf. 12:17; 14:12) – a obediência a Deus é substituída pela obediência à besta (13:4, 8, 12, 14, 15).[3] Da mesma forma que os seguidores de Cristo possuem o selo simbólico de Deus e são leais a Ele, os adoradores da besta possuem a marca simbólica de propriedade e lealdade a Satanás (13:16, 17; 14:9; 16:2; 19:20; 20:4).

Enquanto o selo de Deus consiste no nome de Deus e do Cordeiro na fronte (14:1; cf. 7:3), a marca da besta consiste no nome da besta na fronte ou na mão (13:17; tradução literal, presente na NVI). A fronte representa a mente, e a mão direita simboliza as ações. “Ambos os poderes rivais desejam guiar a mente e o comportamento das pessoas. Os seguidores do Cordeiro têm o nome de Deus na fronte, ao passo que os seguidores da besta têm a marca na fronte (indicando convicção e lealdade) ou apenas na mão (indicando obediência forçada sem consentimento mental).”[4] Visto que o selamento significa o processo de atuação do Espírito Santo no coração humano (cf. 2Co 1:21, 22; Ef 1:13, 14; 4:30), a intenção do autor inspirado é mostrar que a colocação da marca da besta é uma falsificação da obra do Espírito Santo.[5]

Mensagem contrafeita

Apocalipse 14:6-12 revela três anjos vindos da parte de Deus com uma tríplice mensagem do evangelho eterno rogando aos habitantes da Terra que se arrependam e adorem o Deus vivo, anunciando a falência da Babilônia espiritual e advertindo contra qualquer associação com ela. Apocalipse 16:13 e 14 retrata três contrapartidas demoníacas saindo da boca da trindade satânica, levando aos habitantes da Terra uma mensagem do falso evangelho. Eles convocam os não arrependidos a se unirem à trindade satânica contra Deus e Seu povo fiel para o grande dia do Deus todo-poderoso. Os três anjos demoníacos da sexta praga são a última tentativa de Satanás de simular a obra de Deus, porque surgem como a contrapartida dos três anjos de Apocalipse 14, e suas mensagens são descritas por João como a antítese das mensagens de advertência proclamadas pelos três anjos.[6]

Cidade contrafeita

Finalmente, Apocalipse 17 retrata o sistema religioso apóstata do tempo do fim, denominado Babilônia, como uma prostituta – uma sedutora mulher-cidade que domina os poderes seculares e políticos deste mundo. É especialmente interessante notar que, ao descrever a Nova Jerusalém, a noiva do Cordeiro (Ap 21:10–22:5), João basicamente repete a apresentação de Babilônia contida em Apocalipse 17 e 18. É importante notar os paralelos antitéticos entre as duas cidades na tabela abaixo:[7]

Babilônia
Nova Jerusalém
Cenário das visões
“Veio um dos sete anjos
“Então, veio um dos sete anjos
que têm as sete taças
que têm as sete taças [...]
e falou comigo, dizendo:
e falou comigo, dizendo:
Vem, mostrar-te-ei [...]
Vem, mostrar-te-ei
a grande meretriz [...],
a noiva,
com quem se prostituíram os reis da terra” (17:1, 2).
a esposa do Cordeiro” (21:9).

“Transportou-me o anjo, em espírito,
“E me transportou, em espírito,
a um deserto
até a uma grande e elevada montanha
e vi” (17:3)
“a grande cidade” (17:18),
e me mostrou
a santa cidade,
“Babilônia” (17:5),
Jerusalém,
“sentada sobre muitas águas, [...]
que descia do céu,
numa besta escarlate” (17:1, 3).
da parte de Deus” (21:10).
Descrição das duas mulheres/cidades
“Achava-se a mulher vestida
“Tem a glória de Deus.
de púrpura e de escarlata, adornada
O seu fulgor era semelhante
de ouro, de pedras preciosas
e de pérolas,
a uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe cristalina” (21:11).
tendo na mão um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícias da sua prostituição” (17:4).
“[Ela oferece] o rio da água da vida [...],
claro como cristal” (22:1, 2, NVI).
“Morada de demônios,
“Eis o tabernáculo de Deus com os homens” (21:3).
covil de toda espécie de espírito imundo
“Nela, nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada,
e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável” (18:2).
nem o que pratica abominação e mentira” (21:27).
“Aqueles [...] cujos nomes não foram escritos
“Somente os inscritos

no Livro da Vida desde a fundação do mundo,
no Livro da Vida do Cordeiro

se admirarão” (17:8).
[entrarão]” (21:27).
“As nações e os reis da Terra” (17:15, tradução literal)
“As nações [...], e os reis da terra
“oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem” (17:13).
lhe trazem a sua glória” (21:24).
Destino das duas cidades
“Feito está!” (16:17).
“Tudo está feito” (21:6).
“E lembrou-se Deus da grande Babilônia para dar-lhe
“Eu, a quem tem sede, darei de graça
o cálice do vinho do furor
da fonte
da sua ira” (16:19).
da água da vida” (21:6).
“Em um só dia, sobrevirão os seus flagelos: morte, pranto e fome;
“E a morte já não existirá, [...] nem pranto, nem dor” (21:4).
e será consumida no fogo” (18:8).

“As nações andarão mediante a sua luz” (21:24).
“Jamais em ti brilhará luz de candeia” (18:23).

“O Cordeiro é a sua lâmpada” (21:23).
“O Senhor Deus brilhará sobre eles” (22:5).
“Vestida de linho finíssimo, [...] adornada de ouro,
“Tem a glória de Deus. O seu fulgor era

e de pedras preciosas, e de pérolas” (18:16).
semelhante a uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe cristalina” (21:11).
“Em uma só hora, ficou devastada tamanha riqueza!” (18:17).
Sua riqueza e beleza são eternas (22:5).
“Sentada como rainha” (18:7).

“Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro.
“E será consumida no fogo [com os seus habitantes]” (18:8).
Os seus servos o servirão” (22:3).

 “Será arrojada Babilônia, a grande cidade, e nunca jamais será achada” (18:21).
“O Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos” (22:5).

As semelhanças verbais e temáticas entre as descrições das duas mulheres-cidades dificilmente podem ser acidentais. Elas indicam que a Babilônia do tempo do fim, retratada como a mulher prostituta que domina o mundo, atua como a antítese profana da Nova Jerusalém, a noiva do Cordeiro. Babilônia representa as esperanças e os sonhos terrenos; a Jerusalém celestial representa o cumprimento de todos os sonhos, esperanças e anseios do povo de Deus desde o princípio. Beasley-Murray nota que “o Apocalipse como um todo pode ser caracterizado como Um Conto de Duas Cidades” (à semelhança do romance histórico de autoria de Charles Dickens).[8]

É especialmente interessante que ambas as descrições explicativas, sobre Babilônia e sobre a Nova Jerusalém, são dadas pelo mesmo anjo, “um dos sete anjos que têm as sete taças”. Esse fato torna o contraste entre as duas cidades ainda mais evidente. “É, por assim dizer, sobre as ruínas da orgulhosa, maligna e corrupta Babilônia que a Nova Jerusalém desce do Céu, pura e radiante com a glória de Deus.”[9] Assim, Apocalipse 17 e 18 prossegue com um dos temas centrais da seção escatológica do Apocalipse (capítulos 12–22) – a contrafação de Satanás das atividades salvíficas de Deus nos dias finais da história da Terra.

(Ranko Stefanovic, Ph.D., é professor de Novo Testamento na Universidade Andrews, EUA. Retirado de Revelation of Jesus Christ: Commentary on the Book of Revelation, 2a ed. [Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2009], p. 376-382. Traduzido do original em inglês por Matheus Cardoso.)

Referências:
1. Jon Paulien, What the Bible Says about the End-Time (Hagerstown, MD: Review and Herald, 1994), p. 111.
2. Para estudo mais aprofundado sobre Apocalipse 12 e 13, incluindo muitos dos contrastes apresentados ao longo deste artigo, veja Jon Paulien, The Facebook Commentary on Revelation – Revelation Chapter 12 [hiperlink para http://goo.gl/V6NQla]; idem, The Facebook Commentary on Revelation – Revelation Chapter 13 [hiperlink para http://goo.gl/90W8ct]; Marvin Moore, Apocalipse 13: Isso poderia realmente acontecer?(Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013); Vanderlei Dorneles, Pelo Sangue do Cordeiro: A vitória do remanescente na batalha final (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2014). (Nota acrescentada pelo tradutor.)
3. Beatrice S. Neall, “Sealed Saints and the Tribulation”, em Frank B. Holbrook, ed.,Symposium on Revelation – Book 1, Daniel and Revelation Committee Series, v. 6 (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 1992), p. 257 (a ser publicado em português pela Unaspress).
4. Ibid., p. 256.
5. Para compreender melhor a antítese entre o selo de Deus e a marca da besta, veja Jon Paulien, “Introdução ao estudo do sábado no Apocalipse”, em Emilson dos Reis, Renato Groger e Rodrigo Follis, orgs., Doutrina do Sábado: Implicações (Engenheiro Coelho, SP: Unaspress, 2012), p. 25-33; Anthony MacPherson, “O sábado e a marca da besta”, em ibid., p. 35-58. (Nota acrescentada pelo tradutor.)
6. Para estudo mais detido sobre as três mensagens angélicas, veja Hans K. LaRondelle, “O remanescente e as três mensagens angélicas”, em Raoul Dederen, ed., Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2011), p. 857-892. (Nota acrescentada pelo tradutor.)
7. Tabela adaptada de Roberto Badenas, “New Jerusalem – The Holy City”, em Frank B. Holbrook, ed., Symposium on Revelation – Book 2, Daniel and Revelation Committee Series, v. 7 (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 1992), p. 256 (a ser publicado em português pela Unaspress). Veja também David E. Aune, Revelation 17–22, Word Biblical Commentary, v. 52c (Waco, TX: Thomas Nelson, 1998), p. 1.144-1.145.
8. George R. Beasley-Murray, The Book of Revelation, New Century Bible Commentary(Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1981), p. 315.
9. Badenas, “New Jerusalem – The Holy City”, p. 255