18 maio 2017

A CONEXÃO PARA ESSE TEMPO




Vivemos o tempo final da história do mundo, quando a inspiração previu o advento dos enganos mais bem elaborados. Não se trata apenas de escolher entre o que é claramente correto ou o escandalosamente malévolo. Satanás agiria para nos entreter, viciar e desequilibrar: “‘Tenham cuidado, para que os seus corações não fiquem carregados de libertinagem, bebedeira e ansiedades da vida, e aquele dia venha sobre vocês inesperadamente.” (Lc 21:34). E ele o faria por meio do transtorno do cotidiano.
Uma das coisas mais certas sobre a realidade distorcida pelo pecado é a transitoriedade. O pecado se interpõe no próprio curso da vida, interrompendo-a com a chegada da morte. Mas não só isso. Ao transmutar os preceitos divinos, os quais geram estabilidade, o mal trouxe a constante mudança, a passagem das épocas como conhecemos. Tais mudanças ao longo da história são marcadas por guerras, catástrofes, perseguições e revoluções tecnológicas.
É difícil imaginar como seria o mundo criado por Deus sem ter como parâmetro o mundo como o conhecemos, o qual é manchado pelo pecado. Certamente, o tempo é um elemento criado por Deus. Não é admissível uma realidade dicotômica, como os gregos faziam, ao imaginar a ausência de tempo como ideal de perfeição. Mesmo na Terra restaurada teremos a passagem dos dias e a contagem das semanas (Is 66:23). Por outro lado, é possível inferir que o plano divino implicava em progresso, crescimento, aperfeiçoamento:

Enquanto permanecessem fiéis à lei divina, sua capacidade para saber, vivenciar e amar, cresceria continuamente. Estariam constantemente a adquirir novos tesouros de saber, a descobrir novas fontes de felicidade, e a obter concepções cada vez mais claras do incomensurável, infalível amor de Deus. (EGW, PP, 23).

O texto sugere que, sem a presença do pecado, haveria um fluxo contínuo de desenvolvimento dentro das mesmas bases – obediência à lei divina. Com o pecado, temos degradação, ruptura, mudanças e violência. Logo, é de se esperar que a instabilidade seria a marca do mundo.
A instabilidade se instaurou no cotidiano e logo passou a ser o novo cotidiano. O mundo interconectado aceita a instabilidade, faz dela seu capital mais valioso. Se há mudança, há movimento. Ainda que movimento desordenado. Real e virtual se confundindo, se mesclando. O que os analistas sugerem ser um novo período humano tem de ser visto em sua devida perspectiva profética.
O caos das nações – caos de informações, insegurança política (crises migratórias, terrorismo, guerras em potencial) e a perda das bases éticas (com a rejeição do modelo bíblico de pensar) – é o aprontar das últimas cenas. Já estamos próximos dos eventos descritos na profecia.
Mais do que nunca, o conselho de Jesus é valioso: “‘Tenham cuidado, para que os seus corações não fiquem carregados de libertinagem, bebedeira e ansiedades da vida, e aquele dia venha sobre vocês inesperadamente.” (Lc 21:34). Justamente aqui temos de ficar atentos. Há distrações por toda parte. O entretenimento chega a nós a cada momento, via Whats’app, redes sociais, serviços de streams. Em meio à instabilidade, somos convidados pela tecnologia a desconsiderar a vigilância e dar maior valor à diversão. Somos convidados à grande festaonline, à orgia digital, ao amar o lúdico, o prosaico, o fútil. Assim, quando chegarem as provas, estaremos desapercebidos e sonolentos. Conectados com esse século, estamos nos desconectando com as advertências que nos preparariam para o futuro.
Obviamente, o problema maior não está com a internet, mas com a forma como a usamos, o tempo que dedicamos a ela e ao tipo de participação que temos com as coisas que ela oferece. Quer online ou na vida off-line, somos desafiados a compartilhar a certeza de que Jesus voltará. Isso implica em uma vida sóbria, cautelosa, sábia, regrada e piedosa. Implica em comunhão autêntica com o “Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes.” (Tg 1:17). Por meio de nossa esperança nEle, podemos nos conectar ao governo de Deus, algo que será plenamente cumprido para aqueles que vencerem no grande conflito, especialmente em sua crise final (Ap 3:21).
Deus nos dê o entendimento correto acerca do tempo presente, uma sólida apreciação por aquilo que Ele realizou nos tempos passados e uma viva esperança para aguardar o tempo que Ele trará!