20 agosto 2015

Os perigos do “Cientificismo”


Se por acaso vocês são como eu, então também têm amigos descrentes que defendem que os Cristãos são tendenciosos. Eles sabem que nós, como Cristãos, acreditamos na existência de Deus, e como tal, eles assumem que somos incapazes de avaliar as evidências da maneira correcta. Os descrentes estão convencidos de que os Cristãos começam com uma proposição que obscurece o nosso julgamento.
A realidade dos factos, no entanto, é que muitos dos nossos amigos “racionais” e “baseados na ciência” estão muito mais limitados nas suas proposições do que os Cristãos. Lembrem-se que TODOS nós temos um ponto de vista, mas isto não quer dizer necessariamente que somos injustamente tendenciosos.
O viés não está de maneira alguma relacionado com o facto de se ter um ponto de vista; o viés ocorre quando este ponto de vista elimina certos tipos de evidências e certas conclusões baseadas nas evidências antes mesmo da investigação ter início. E embora os ateus possam afirmar que os Cristãos têm este tipo de viés, uma rápida examinação da dependência cultural em torno da ciência revela que o oposto é verdade.
Tenho a certeza que um amigo vosso já afirmou algo deste tipo:
Eu sou uma pessoa com mente científica, e alguém que se baseia nas evidências. A verdade só pode ser atingida empiricamente, e a ciência é a única forma de se saber com toda a certeza qual é a verdade.
Quando as pessoas fazem este tipo de declarações, elas estão a revelar mais do que apenas um ponto de vista; eles podem estar a revelar um viés rígido que se encontra enraizado na ultra-dependência da ciência com o nome de cientificismo. Existem três perigos na sobre-valorização da habilidade da ciência para determinar a verdade:
1. Uma excessiva dependência da ciência é auto-refutante
Quando as pessoas fazem a alegação de que “a ciência é a única forma de se saber a verdade”, perguntem a elas se eles “realmente sabem” se esta declaração é verdadeira. Se elas disserem que sim, perguntem-lhes como foi que a ciência lhes ajudou a chegar a essa conclusão. Ficamos a saber que a declaração “a ciência é a única forma de se saber a verdade” não pode ser confirmada pela ciência.
Esta declaração é uma proclamação filosófica que coloca em causa a sua própria alegação: não pode ser verificada ou confirmada como “verdadeira” através de qualquer examinação ou metodologia científica. Aparentemente, para as pessoas que fazem esta alegação, existe pelo menos uma verdade que eles podem saber sem o benefício da ciência: o facto da ciência ser a única forma de verdadeiramente se saber a verdade. Vêem o problema?
2. Uma excessiva dependência da ciência é inadequadamente limitante
Existem muitas coisas que podemos saber sem o benefício da ciência. A alegação filosófica mencionada previamente é um exemplo, mas há mais:
  • a) Verdades matemáticas e lógicas: Estas têm que ser aceites como pressopusições fundamentais como formar de nos podermos envolver em qualquer estudo científico; como tal, não podemos usar a ciência para determinar factos lógicos e matemáticos que a precedem.
  • b) Verdades metafísicas: Algumas verdades em torno da natureza do mundo (tais como se o mundo externo existe ou não) não podem ser determinados através do uso da ciência.
  • c) Verdades éticas e morais: A ciência não nos pode dizer o que é moralmente virtuoso ou desprezível. Ocasionalmente, els pode-nos ajudar a saber “o que é” (relativo ao mundo material), mas a ciência não nos pde dizer “o que deveria ser” (relatico aos julgamentos morais).
  • d) Verdades estéticas: A ciência não nos pode ajudar a determinar ou ajuizar o que é bonito e o que é feio.
  • e) Verdades históricas: Talvez, e algo importante no estudo da visão do mundo Cristã, a ciência não pode determinar o que é historicamente verdadeiro. A ciência não nos pode dizer nada sobre quem venceu o Óscar de melhor filme do ano passado, e de forma semelhante, a ciência não nos pode dizer nada sobre alegações antigas relativas à historicidade de Jesus ou a veracidade histórica da Bíblia.
Se vamos rejeitas categorias de verdade que não podem ser verificadas cientificamente, temos que rejeitar todas as verdades relativas à lógica, à matemática, à moral, à estética, à história e à metafísica. As mais importantes alegações da vida teriam que ser ignoradas e qualificadas de pouco fiáveis.
3. Uma excessiva dependência da ciência é prejudicialmente tendenciosa.
Mais importante ainda, uma ultra-dependência da ciência elimina todas as opções explicativas com base no viés. Há uma diferença entre o método científico (um processo de testes racional) e o cientificismo (um compromisso irracional com o naturalismo filosófico). Os naturalistas filosóficos recusam-se a considerar qualquer coisa que se encontre fora do mundo natural como explicação para eventos que podem ser observados.
Por outro lado, os Cristãos estão em melhor posição para permitir que as evidências os levem para elas se dirigem. Se as leis e os processos naturais podem explicar um determinado fenómeno, então assim seja. Se as leis e os processos naturais são incapazes de disponibilizar uma explicação, e as evidências apontam para a existência de algo sobrenatural, então essa explicação ainda se encontra sobre a mesa.
O naturalismo filosófico invalida toda a categoria de explicações  sobrenaturais antes mesmo de tentar determinar se algo sobrenatural existe!

Parece que a visão Cristã tem a habilidade de aceitar as explicações naturais sem rejeitar as sobrenaturais à priori. Uma excessiva dependência da ciência (que tem o nome de “cientificismo”) causa a que rejeitemos tudo o que seja sobrenatural antes mesmo de começarmos a investigar uma explicação. Qual destas duas abordagens é mais prejudicial? Qual é a menos tolerante em relação a uma variedade de explicações que estão à nossa disposição?
Uma excessiva dependência da ciência cegou a nossa cultura para à riqueza das possibilidades explanatórias. Não é de admirar que os “buscadores de verdade” tenham dificuldade em encontrar o que buscam.
Por J. Warner Wallace (Darwinismo)

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