03 março 2015

Banalização do satanismo e do sadomasoquismo

Lúcifer: o anjo simpático
Duas notícias recentes me chamaram a atenção e guardam alguma semelhança entre si, embora os assuntos sejam bem diferentes (ou não seriam?). Aprimeira diz respeito à aprovação pela Fox do episódio piloto de “Lucifer”, série baseada na história em quadrinhos de Mike Carey sobre as aventuras do anjo caído Lucifer Morningstar. “Com isso, a atração já garantiu a encomenda de uma primeira temporada. Não foram divulgados, porém, a quantidade de episódios que a série terá. Tom Kapinos, o criador de ‘Californication’, assinou o piloto e também servirá como produtor executivo do projeto. O personagem apareceu primeiro nos quadrinhos de ‘Sandman’, de Neil Gaiman, em 1989, e só ganhou sua revista própria em 2000. A HQ da Vertigo, selo adulto da DC Comics, teve 75 edições publicadas até 2006. A série ‘Lucifer’ servirá como sequência das histórias em quadrinhos, mostrando o protagonista gerenciando um bar depois de ter desistido de comandar o inferno. ‘Lucifer’ será produzida pela Warner Bros. TV e se juntará a uma leva de adaptações de HQs da DC, que incluem as séries ‘Constantine’, ‘The Flash’, ‘Gotham’, ‘Supergirl’ e dos ‘Novos Titãs’”, informa o site Cinepop.

Quadrinhos satânicos não são exatamente novidade, como bem se lembram os leitores de “Spawn” e “Motoqueiro Fantasma” , para citar apenas dois. A novidade fica por conta dessa nova onda de adaptações de quadrinhos para o cinema e para a TV, o que está dando muito mais visibilidade para personagens antes apenas conhecidos pelos leitores do gênero HQ. Cada vez mais a figura do anjo caído rebelde vai sendo banalizada, havendo até quem “torça” por ele e se identifique com ele. Na série “Falen”, por exemplo, os leitores até torcem para que os anjos caídos recuperem seu lugar no Céu, de onde teriam sido “injustamente” expulsos!

outra notícia diz respeito ao sucesso do momento: “Cinquenta Tons de Cinza”. Segundo o blog Page Not Found, “alunos de uma escola do ensino fundamental em Monessen (Pensilvânia, EUA) receberam em sala de aula um caça-palavras baseado emCinquenta Tons de Cinza, sucesso editorial erótico de E. L. James que foi levado ao cinema. Entre as palavras a serem buscadas no mosaico de letras estavam ‘espancamento’, ‘submissa’, ‘algemas de couro’ e ‘bondage’ (técnica sadomasoquista de submissão usando cordas e outros apetrechos). James Carter, pai de um aluno da escola, fez reclamação formal à direção do estabelecimento de ensino durante reunião do conselho de alunos, de acordo com a agência AP. Autoridades disseram que não discutiriam a questão, mas um membro do conselho afirmou que o caça-palavras foi um ‘grande erro’.” 


Apenas um pai se manifestou? O mais triste é saber que, no Brasil, adolescentes de 14, 15, 16 anos foram ao cinema assistir a essa produção cinematográfica (o próprio governo abaixou de 18 para 16 anos a classificação indicativa do filme). E por que foram assistir? Por causa do marketing que vendeu pornografia sadomasoquista como romance. Por causa da curiosidade despertada pela mídia aliada à indústria cinematográfica de olho nos milhões de dólares que serão arrecadados à custa de uma geração que passará a ver o sexo como técnica de tortura, prazer depravado e dominação.

Pensando bem, as duas notícias têm tudo a ver mesmo. O mesmo motivador está por trás dessas banalizações; dessa normalização do anormal e dessa inversão de valores. [MB]

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