04 janeiro 2016

Bíblia Andrews: Enaltecida pelas queixas


No final de 2015, a Casa Publicadora Brasileira-CPB, editora da Igreja Adventista do Sétimo Dia, lançou no Brasil a Bíblia com notas de comentários Andrews. A parceria entre a CPB e a Sociedade Bíblica do Brasil-SBB, pela qualidade do material, extraiu elogios inclusive do secretário editorial da SBB, Paulo Teixeira. Não há dúvidas de que se trata de uma grande conquista para os milhares de estudantes e leitores da Bíblia, especialmente adventistas. Conversando com muitos adventistas sobre a Bíblia com comentários Andrews, pude observar a tremenda alegria e satisfação dos que já fizeram uma análise de sua qualidade e conteúdo. O deleite e o contentamento estão estampados nos rostos dos que já tiveram acesso ao material. Todavia, quando me programava para também adquirir, recebi algumas mensagens de pastores e amigos leitores do blog me perguntando sobre uma indagação irônica de alguém que demonstrou não ter apreciado a publicação. A pequena nota que viralizou pelo facebook questionava três pontos: o editor escolhido, Dr. Dybdahl, a ausência de clareza sobre o papado e a nota explicativa sobre a expressão de Apocalipse 13:3 “ferida de morte”. Como eu ainda não possuo a Bíblia Andrews, um pastor amigo me enviou várias notas da Bíblia, especialmente as que foram questionadas. Fazendo análise das notas em paralelo com as críticas publicadas na internet, consegui fazer algumas pequenas análises da questão.

1º - O editor escolhido, Dr. Dybdahl, não atuou isoladamente no projeto. Houve também a participação de vários teólogos de renome e credibilidade. O Dr. Jon Paulien, uma das maiores autoridades em Apocalipse da atualidade, e o grande evangelista pastor Mark Finley, outro que está além das queixas, foram alguns dos renomados convidados para avaliar o projeto. No Brasil, dentre outros, o Dr. Vanderlei Dorneles esteve à frente do projeto para a língua portuguesa, o que reforça ainda mais a credibilidade do material. Portanto, acredito que a Bíblia Andrews, sem nenhuma dúvida, é uma das Bíblias de estudo mais confiáveis atualmente. Portanto, A CRÍTICA NÃO PROCEDE.

2º - Outra crítica é sobre a ocultação do papado nas notas. O espaço para comentários em notas de rodapé é muito reduzido, impedindo substancialmente um comentário mais extenso e preciso. Portanto, não é de se esperar em nenhuma Bíblia de estudos um comentário amplo e exaustivo. Mesmo a nota sendo curta, o que é comum em Bíblias com comentários, não concordo com a crítica apresentada, pois logo no comentário do capítulo 13:1-7, descrevendo o poder perseguidor da idade média, claramente fez-se alusão ao golpe sofrido pelo papado como sendo o cumprimento desta profecia. Se observarmos atentamente nos comentários seguintes, veremos na descrição do capítulo 13:11 a identificação da besta da terra com os Estados Unidos e, nas descrições posteriores, a besta do mar (papado) recebendo novamente a mesma autoridade que possuía no passado concedida pela besta da terra (EUA). Este fato indica claramente que não houve ocultação ou proteção ao papado como insinuada na crítica espalhada na internet. Cada comentário, como referência dos versos, precisa ser pontual com o verso específico e, como o espaço para comentários é limitado, torna-se necessário que não se permita notas explicativas repetitivas. O Esclarecimento do verso 3 não precisa ser repetido em outras notas. Portanto, A CRÍTICA NOVAMENTE NÃO PROCEDE.

3º - A terceira e última CRÍTICA refere-se ao comentário do capítulo 13:3 do livro de Apocalipse, que faz paralelo entre a expressão “golpeada de morte” e a “cruz”.  Como já esclareci acima, os espaços para comentários são reduzidos e, por este motivo, o que resta para os editores, são apenas links [ex.: ver verso 8; ou (v.8)] ou notas rápidas baseadas, às vezes, em apenas algumas poucas palavras. Foi o caso do comentário do verso 3. Os editores inseriram a nota rápida “alusão à Cruz”, e logo em seguida o link para o verso 8 como referência auxiliar, ou seja, para qualquer bom estudioso, isto indica que o verso 8 é um complemento para a nota “alusão à Cruz”. Isto indica que os autores pretendiam evidenciar que, assim como haveria uma contrafação da trindade representada pelo “dragão, a besta (do mar) e o falso profeta (besta da terra)”, muito bem delineado nas notas anteriores da Bíblia Andrews, o mesmo paralelo vemos na morte e ascensão da besta. A expressão ferida de morte faz alusão “à cruz” por causa da morte e ressurreição de Jesus. Ranko Stefanovic, outra autoridade em Apocalipse, concorda com a ideia ao afirmar que a mesma palavra no grego é utilizada para fazer referência ao Cordeiro. (ver Revelation of Jesus Christian, p. 411). A ferida de morte não é a cruz, mas faz alusão à cruz pela semelhança do ocorrido. Todos adventistas que estudam profecias sabem lucidamente que a ferida de morte é uma referência direta ao papa Pio VI. Nossa teologia apocalíptica tradicionalmente ensina que a expressão "golpeada de morte" refere-se ao fim do poder papal perseguidor em 1798.  Observe: "esta predição foi dramaticamente cumprida, em 1798, quando Berthier, à frente do exército francês, entrou em Roma, declarou o fim do domínio político do papado e levou o papa para a França como prisioneiro, onde logo morreu." (ver comentário de Ellen White sobre Daniel 7:25; GC, P. 439; e Comentário Bíblico Adventista, V. 7, p. 904 e 905. Portanto, mais uma vez, A CRÍTICA NÃO PROCEDE.

Conclusão: Ética e prudência são palavras chaves para que nossa credibilidade pessoal não seja jogada no lixo. Creio que o que cai por terra nesta circunstância não é a equipe editorial e nem a própria Bíblia Andrews, mas o articulista que fez as tais críticas. Creio que o queixante poderia primeiro apresentar suas dúvidas aos responsáveis pelo projeto para depois tirar as devidas conclusões. Se ele houvesse optado por este caminho ético, com certeza chegaria a conclusões bem diferentes das atuais. Por fim, como assíduo estudante de teologia e profecias há vinte anos, recomendo perfeitamente a Bíblia Andrews com suas notas de comentários, especialmente do livro de Apocalipse. Pelo pouco que pude observar, percebi claramente que se trata de uma ótima ferramenta para os que apreciam compreender melhor os principais pontos das Escrituras.

Obs.: Não achei necessário citar o nome do autor da crítica. Meu parecer não é contra a pessoa em si, mas as observações feitas por ela.

Gilberto G. Theiss – Bacharel em Teologia, Pós-graduado em Filosofia, pastor e escritor por paixão.

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